terça-feira, 27 de outubro de 2009


Banheiro em Hamburgo, na Alemanha. Foto encontrada por @angelojunior no Facebook de um de seus brothers. Como ele também está no exterior, decidiu expressar-se sobre os butecos da gringa.


“É absurdo dizer que alguém se esconde na bebida; pelo contrário, a maioria se esconde na sobriedade.”
(Thomas Quincey)

Para quem não sabe, estou de passagem pelos EUA e ficarei por aqui pelo menos até 20 de Dezembro.
Neste exato momento, estou sentado em uma elegante e charmosa cafeteira na principal rua do centro da cidade de Boulder, no Colorado, distante 45 minutos de Denver.
É uma rua pacata, onde os poucos transeuntes geralmente desfilam seus casacos e botinas prontas para uma possível nevasca, apesar do sol estar atingindo as peles brancas e desprotegidas dos nativos.
Nessa Cozy Little Town, entre meus olhos, o vidro e uma escultura de pedra, existe um grande vazio. Analisando a situação pelo lado menos filosófico, percebo que esse vazio é proveniente do meu copo.
A tristeza me bateu porque percebi que estou me misturando a cultura e ao ambiente. Ora, se não estou sendo vigiado e já cumpri meus afazeres do dia, por que não estou caído com a baba escoando boca de lobo adentro em alguma esquina no âmago desse vilarejo?
Olho para a parede e vejo um cardápio enorme de bebidas sortidas, é a minha deixa para voltar a ser o que sempre fui. Um bêbado inconseqüente.
"What can I get for ou today?" - pergunta uma garçonete educada (e se a garçonete é muito educada, já não estou me sentindo em casa).
Can I get a…a… Oh damn You Don't have beers?
"Unfortunately, we do not".
All right. Thank you and have a good day.
Depois de agradecer por não haver cerveja, é melhor eu ir embora. Descobri que a sobriedade é uma doença contagiosa. E pouco contagiante.
Mas ainda há uma esperança. Um bar que abre às 8 da noite e que se o santo ajudar, a ampola do diurético não sai por mais de 3 pratas e as fichas de sinuca não mais que um trocado de padaria.
Mas ainda são vinte pra duas. Até as oito posso morrer de sobriedade.
Mas tudo bem. A vitória apenas tem sabor de lamber os beiços quando árdua e tardia.
E espero sinceramente que o buteco seja desonesto. Com gente de atitudes descabidas. E com a porta dos fundos cheias de dejetos, nesse momento objetos do meu desejo.

26/10/2009


Muito obrigado querido Zabo. Sucesso.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009


Buteco de esquina na Avenida Nova Cantareira (ZN) – Bar ao bom estilo setentista, com balcão de metal e azulejo creme.

“A sede ensina a beber a todos os animais, mas a embriaguez só pertence ao homem.”
(Henry Fielding)

Hoje é um dia especial, dia de parabenizar nossos mestres. Aqueles que ralavam pra que agente aprendesse algo de útil.
Por isso, seguem minhas humildes felicitações:

- PROFESSORA BREJA:

Sem você não seria o que eu sou hoje, um ser que se esfola por uma gelada! Obrigado por me ensinar, na minha ingênua juventude, que uma festa de 15 anos só vale a pena se não for de crente.

- PROFESSOR WHISKY:

Mestre rígido e de humor seco. Me ensinou na porrada que só se aprende caindo. E feio.

- PROFESSURA ADJUNTA CANA COM LIMÃO:

Ajudou a completar uma penca de lições que eu aprendi. Muitas delas já foram completamente esquecidas, por isso faço questão de revê-la frequentemente.

- PROFESSORA PINGA DE ALAMBIQUE:

Uma delícia! Sem palavras. Personagem de muitos dos meus sonhos até hoje.

- PROFESSORA VODKA:

Nunca nos entendemos. Enquanto sempre afirmei que ela fedia a esmalte, ela me deixava de castigo caído em muita porta de balada antes mesmo de entrar. Daquelas que se der eu mato aula, mas se não tiver nada melhor pra fazer acabo encarando.

Cotação Buteco:
- Brahma - R$ 3,30
- Skol - R$ 3,30

Avenida Nova Cantareira, altura do número 300, esquina com a Rua Mto. João Gomes de Araújo.


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quarta-feira, 14 de outubro de 2009


Esfiharia Ponto da Esfiha. Cerveja gelada, e isso basta.

“Se Deus soubesse que nós beberíamos cerveja, nos teria dado dois estômagos.” (David Daye)

Desde pequeno nunca fui muito amigo da matemática. Mas sempre nos entendemos.
Enquanto eu fingia que a conhecia profundamente, ela caía parcialmente nos meus encantos. Vez ou outra aplicava seus truques, mas minhas notas nunca eram abaixo do 7,5.
Mas tem umas contas que nunca fecham.
Uma delas é calcular quantas vai tomar antes mesmo de sentir a temperatura do balcão nos punhos. Impossível.
Tanto quanto achar que essa semana, só porque você precisa economizar, não vai tomar nenhuma birra gelada. Espere, vire a esquina, e lá tu avistarás o bem posicionado camelô com seu isopor lotado de unitárias em alumínio por R$ 2,00.
Mas não tem conta mais sem solução do que aquela que você faz antes de sair do bar, no momento em que você calcula que, se ir ao banheiro naquela hora, chegará vivo em casa. Essa não dá. Invariavelmente, vais passar mal.
Nesses momentos não tem essa de banheiro limpo e brilhante, esculpido no mármore e polido no Pinho Brill. É ele e é ele. Com louvor.
Bendito seja qualquer banheiro, de qualquer bar, birosca, buteco, bodega, botequim...
E por incrível que pareça, nestes momentos temos um grande apoio providenciado pelo governo, que deixa eu retomar meu caminho pelos mesmos R$ 2,30, mas agora com mais uma lata em punho.

Cotação Buteco
(um serviço à comunidade)
- Brahma – R$ 3,50
- Skol – R$ 3,50
- Itaipava – R$ 3,20

Ponto da Esfiha – Lauzane (ZN)


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sexta-feira, 9 de outubro de 2009


Churrasquinho MU. Local aprazível para se beber ao ar livre e cerveja no balde. No âmago da Zona Norte.

"Bebe e diverte-te, pois nosso tempo na Terra é curto e a morte dura para sempre." (Amphis)

Eis que o fim de semana dá o ar da (des) graça com um clima meteorológico classificável, no mínimo, como uma merda.
Há muito tempo que me pego travado em pensamentos onde estou degustando drinks refrescantes e com alto teor alcoólico na areia de uma praia qualquer. O som das ondas contrastando com o som das latas sendo abertas, a risada das crianças entrelaçadas com o doce som da vodka abrindo caminho entre o gelo do isopor.
Fragmentos da percepção do prazer muito similares aos flashes de memória que ficarão para o dia seguinte.
Esquece. Posterga o passeio e perpetua a vontade. Adota o Plano B.
Enche a geladeira de cerveja e chega na segunda como se não lembrasse de nada.

Cotação Buteco
(um serviço à comunidade)
- Brahma - 4,00
- Skol - 4,00

segunda-feira, 5 de outubro de 2009


Bilhar na Rua Peixoto Gomide, altura do nº 50 - Apelidado carinhosamente de Bar dos Emos. Prepare-se para ver uma mulecada no mínimo extravagante na porta de um bilhar subterrâneo.

"Na realidade, basta um drinque para me deixar mal. Mas nunca sei se é o 13º ou o 14º." (George Burns)

Um som agudo, incômodo e incessante soava e ricocheteava entre a parede do meu crânio e o cérebro, este já maltratado por uma insana noite de segunda feira. Maldito despertador.
Ele sempre surpreende antes de emputecer qualquer um que tenha tomado mais doses do que deveria em um dia nada estratégico na semana. Sou acometido à arremessá-lo na parede, mas noto que preciso focar minha atenção em duas outras coisas: Levantar para trabalhar e água.
Uma delas é uma necessidade vital quando bebemos demais ou quando não há cerveja no país. A outra garante a compra de cerveja, mesmo que seja importada.
Corro para os dois sabendo que o dia não será fácil. Muito menos produtivo. Deixei a força de vontade no ônibus, o espírito de liderança no ponto e a pró-atividade na cama.
Mas ainda confio na esperança.
Por isso mesmo conto o andar dos ponteiros acreditando que o dia logo acabará e que eu nunca mais beberei dessa forma novamente.
Um brinde à esperança.
Cotação-Buteco:
(um serviço à comunidade)
- Itaipava - 3,80
- Brahma - 4,00
- Skol - 4,00
- Salgad0 - 2,00




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